Reflexões sobre concepções sócio-históricas e funcionalistas da primeira gramática da língua portuguesa
O renascentista português Fernão D’Oliveira (1507–1581) foi uma figura notável de seu tempo. Estudioso das tradições antigas, do saber medieval e das ideias bíblicas, soube articular esses conhecimentos às novas perspectivas trazidas pelas grandes navegações, o que lhe conferiu uma visão transnacional da realidade. Nascido em Aveiro, destacou-se por sua contribuição singular à história da língua portuguesa: é o autor da primeira gramática da língua, publicada em 1536, em um contexto histórico marcado pela afirmação da identidade nacional portuguesa diante de outras nações europeias.
Intitulada A Grammatica da Lingoagem da Portuguesa, a obra foi escrita em Lisboa e reflete a ampla formação de seu autor. Em suas páginas, Fernão D’Oliveira propõe uma abordagem inovadora para a época, com conotações pedagógicas, filológicas e funcionalistas. A gramática contempla temas como mudança semântica, linguagem metafórica, fonética, morfologia e sintaxe, revelando uma compreensão complexa e moderna da estrutura linguística do português.
Inspirada por esse legado, a professora Vânia Cristina Casseb-Galvão, doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP e docente titular da Universidade Federal de Goiás (UFG), publicou em 2021 o livro Concepções Sócio-Históricas e Funcionalistas da Primeira Gramática da Língua Portuguesa, pelo Centro Editorial e Gráfico da UFG (Cegraf/UFG). A obra, fruto de sua tese para a obtenção do título de docente titular, analisa a gramática de Fernão D’Oliveira à luz do funcionalismo linguístico, destacando a integração entre linguagem e elementos sociais, culturais e interacionais.
A resenha dessa obra, disponível em anexo, foi elaborada pelo Prof. Me. Gustavo Fidelis Garcia e pela Profa. Me. Samara Leandro de Oliveira, com o objetivo de contribuir para o aprofundamento dos estudos linguísticos e historiográficos da língua portuguesa.

Leia.